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Além dos jogos: uso da realidade virtual para melhorar a saúde

19/07/2019
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A Realidade Virtual (RV) antes ficava apenas na ficção científica, mas atualmente está em todo o lugar. Tudo o que você precisa para ter acesso é de um smartphone e um óculos 3D para mergulhar em mundos virtuais ou jogos. Esta tecnologia também pode ser útil para assistência médica e pesquisa.

“Nos últimos anos, houve uma grande expansão no número de aplicações clínicas interessantes com a realidade virtual”, diz Dr. Andrew Huberman, pesquisador de realidade virtual da Universidade de Stanford.

Pesquisadores estão descobrindo que a realidade virtual pode ajudar em muitas áreas da medicina. Isso inclui exercícios para reabilitação, melhoria da saúde mental e redução de dor.

Realidade virtual para restaurar movimentos

Cientistas testaram a realidade virtual para tratar problemas de movimento. Estes podem ser causados por um acidente vascular cerebral, mal de Parkinson ou outras condições. Exercícios de reabilitação podem, muitas vezes, ajudar pessoas a treinar músculos para melhorar o movimento. Mas estes exercícios podem ser chatos – especialmente para crianças.

Dr. Amy Bastian, especialista em movimento do Instituto Kennedy Krieger, tem utilizado a realidade virtual para tornar os exercícios de reabilitação mais atraentes para as crianças. Isso permite que sua equipe adapte os exercícios às necessidades individuais das crianças.

“Com realidade virtual, nós podemos fazer coisas que são realmente difíceis de fazer na terapia no mundo real”, conta Bastian.

“Se nós queremos que você aprenda a alcançar ou controlar o equilíbrio em uma direção, podemos fazer com que todos os componentes do jogo movam as coisas nessa direção”.

A realidade virtual também pode ajudar aquelas crianças que têm dificuldade em seguir instruções, ela explica: “podemos dizer algo como ‘apenas pressione as coisas vermelhas’. Isso pode levá-los a fazer todo tipo de tarefas complexas”.

Bastian também está desenvolvendo exercícios de realidade aumentada para adultos com danos cerebrais na parte que coordena movimentos. Este tipo de dano cerebral torna os movimentos espasmódicos e descoordenados.

A equipe está testando se outras partes do cérebro podem ser ensinadas a coordenar os movimentos. Mas isso não pode acontecer se os olhos puderem ver o corpo, pois o cerebelo danificado tenta assumir o controle.

Por isso, a equipe está colocando as pessoas em uma cena de realidade virtual em que os corpos deles não existem. Eles precisam alcançar alvos com membros invisíveis. Como os pacientes não podem ver seus braços, outras áreas do cérebro precisam assumir o controle para concluir a tarefa.

Moedas caem do céu virtual quando a pessoa faz um movimento suave para pegar um objeto. Esse feedback instantâneo para um movimento bem-sucedido é vital para o cérebro forjar novos caminhos de aprendizagem, explica a pesquisadora. “Na realidade virtual, podemos manipular o ambiente em tempo real para ajudá-los a aprender a usar outros sistemas cerebrais”.

Andrew Huberman Stanford
Andrew Huberman — Foto/divulgação: Scope Blog Stanford Medicine

Realidade virtual para lutar contra o medo

Huberman está usando a realidade virtual para testar técnicas a fim de ajudar as pessoas a lidar com o medo e a ansiedade. “A RV é ideal para estudar esses estados mentais”, explica ele.

“A visão, mais do que qualquer outro sentido, é o sentido que os humanos usam para navegar pelo mundo e sobreviver. E, mais do que qualquer outro, gera fobias e ansiedade”.

O que você vê pode ser facilmente manipulado usando um ambiente virtual. Sua equipe está usando esse aspecto da realidade virtual para ajudar as pessoas a aprenderem a administrar seus medos.

“Podemos criar experiências muito realistas”, explica Huberman. “Podemos criar uma experiência que é um pouco ameaçadora ou muito ameaçadora”.

A realidade virtual pode mostrar às pessoas cenas de tubarões ou aranhas, colocá-las no alto de um prédio ou colocá-las na frente de uma multidão para falar.

Depois que seus participantes tiverem uma dessas experiências de realidade virtual, a equipe lhes ensinará formas de gerenciar seu estresse e desconforto. Estes incluem exercícios de respiração focados e outras técnicas.

Os pesquisadores então colocam as pessoas de volta no ambiente estressante de RV para ver se as técnicas podem ajudá-las a reduzir sua ansiedade no momento.

Uma vantagem única da RV, explica Huberman, é que os pesquisadores podem medir diretamente sinais de ansiedade. Estes incluem alterações nos movimentos dos olhos e tamanho da pupila.

O estudo ainda está em andamento, mas Huberman diz que o treinamento parece estar ajudando as pessoas com sua ansiedade.

RV para distrair da dor

Além de ajudar as pessoas a processarem experiências mentais desconfortáveis, a realidade virtual pode ajudar as pessoas a lidar com o desconforto físico. Os pesquisadores estão testando como esta tecnologia pode ajudar a reduzir a dor de certos procedimentos médicos.

Sam Sharar, especialista em dor da Universidade de Washington, usa a realidade virtual para distrair crianças e adultos que estão se recuperando de queimaduras.

“A dor da queimadura pode ser muito, muito ruim. É difícil tolerar”, diz Sharar. Para que as queimaduras se curem, as feridas devem ser lavadas e cobertas novamente todos os dias. Esses procedimentos são muito dolorosos. Drogas que reduzem a dor geralmente proporcionam apenas alívio parcial para pessoas com queimaduras.

Sharar acredita que a RV pode aliviar a dor ao distrair o cérebro. “As pessoas têm uma quantidade fixa de atenção consciente”, diz ele.

“Se você desviar parte disso de experimentar um procedimento doloroso para outra tarefa, o cérebro experimentará menos dor. Isso acontece mesmo que o mesmo sinal de dor esteja passando pela pele”.

Sua equipe e outras pessoas desenvolveram um programa de realidade virtual que coloca as pessoas em um mundo virtual muito frio. Ele envolve seus olhos e ouvidos para bloquear o que está acontecendo com sua pele. Também tem um jogo em que as pessoas acertam um alvo para distrair mais a atenção.

Os estudos da equipe mostraram que o programa imersivo reduziu a dor das pessoas durante o tratamento de queimados pela metade, em comparação com um videogame normal.

Sharar e outros pesquisadores continuam procurando maneiras de usar ambientes virtuais para proporcionar um alívio mais eficaz da dor. Para pessoas com dor crônica, que dura mais de três meses, a distração por RV não foi considerada útil. Sua equipe e outras pessoas agora usam a realidade virtual para ampliar o acesso a técnicas que comprovadamente ajudam as pessoas a lidar com a dor crônica, como a terapia cognitivo-comportamental (TCC).

“Se a realidade virtual pudesse ser usada para fornecer esse tipo de terapia em um ambiente virtual imersivo”, diz Sharar, “acho que teria um tremendo potencial para melhorar o autogerenciamento da dor”.

“A realidade virtual continua a cair em custo e crescer em popularidade”, acrescenta Huberman. Ele acha que o feedback que pode dar aos sentidos também continuará melhorando. Tais melhorias poderiam potencialmente abrir portas para seu uso em mais áreas de cuidados de saúde.

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