fbpx

Digite o que procura

Superbactérias: quais são os perigos?

15/05/2018
Compartilhar

O que são as superbactérias?

As bactérias são parte integral e inseparável da vida na terra. Elas estão intrinsecamente ligadas às vidas de organismos e seres e aos amplos ambientes em que habitam. São parte presente no corpo humano: revestem a pele, as mucosas e cobrem o trato intestinal entre outras coisas. Muitas bactérias são inofensivas. Muitas, são benéficas para seu hospedeiro (homem, animal, planta) e provêm nutrientes ou proteção contra patógenos e doenças.

Como as bactérias têm um curto tempo de reprodução – minutos ou horas – elas conseguem responder rapidamente as mudanças do ambiente. Assim, quando os antibióticos são introduzidos, as bactérias respondem tornando-se resistentes àquelas drogas.

As superbactérias ou bactérias multirresistentes surgem quando os antibióticos são utilizados de forma inadequada e acabam provocando uma seleção natural das bactérias mais resistentes. O processo é simples, mas perigoso: bactérias que sobrevivem aos antibióticos podem gerar outras bactérias também resistentes. Os antibióticos são essenciais para combater as infecções, mas seu uso desregrado também pode piorar o quadro do paciente. O uso incorreto pode ser a utilização por um período inadequado ou a utilização de um medicamento que não é o recomendado para o tipo de bactéria que está causando a infecção. Isso só contribui para o aumento da resistência antimicrobiana.

A resistência antimicrobiana tornou-se o principal problema de saúde pública no mundo, afetando todos os países, desenvolvidos ou não. Um estudo encomendado pelo governo britânico estima que tais organismos serão responsáveis por mais de 10 milhões de mortes por ano após 2050.

700 mil pessoas morrem por ano vítimas de bactérias resistentes no mundo

Infecções hospitalares

O dia 15 de maio é o Dia Nacional de Controle das Infecções Hospitalares. Uma data importante para o alerta, prevenção e conscientização para uma das maiores causas de morte nos serviços de saúde em todo o mundo de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

As causas da infecção hospitalar ou infecção relacionada à assistência à saúde (IRAS), são diversas. Infelizmente, sabe-se que higienização incompleta das mãos é apontada como o principal fator. De acordo com o Centro Europeu de Controle e Prevenção de Doenças (ECDC, na sigla em inglês), 20% a 30% dos casos podem ser prevenidos com o cumprimento dos programas de controle e aumento da higiene.

As infecções hospitalares atingem 14% das internações no Brasil

Além disso, a suscetibilidade do paciente por estar com o sistema imunológico debilitado em conjunto do uso de tratamentos invasivos – quebrando a barreira natural de proteção do paciente, cria focos vulneráveis a infecções.

Outro ponto é o uso excessivo e desregrado de antimicrobianos na cura das infecções, causando um impacto significativo no ambiente hospitalar e na comunidade do mundo todo. Este é o cenário ideal para as superbactérias.

Quanto mais resistente uma bactéria, menor as chances do paciente

Percentual de resistência de bactérias comuns em infecções hospitalares no Brasil e a família de antibióticos a qual elas não respondem.

  • Acinetobacter spp. (carbapenems)
  • K. pneumoniae (cefalosporinas 3ª e 4ª gerações e carbapenema)
  • P. aeruginosa (carbapenems)
  • E. coli (cefalosporinas 3ª e 4ª gerações)
  • Enterobacter spp. (cefalosporinas 4ª geração)
  • E. coli (cefalosporinae e carbapenems)

fonte: ANVISA boletim de segurança do paciente e qualidade em serviços de saúde nº 14. Dez. 2016

Quais são as superbactérias?

Em 2017 a OMS publicou uma lista como uma das 12 bactérias de maior risco à saúde humana pelo seu alto poder de resistência antimicrobiana. Selecionamos abaixo as mais relevantes no cenário de saúde brasileiro.

Acinetobacter spp

Essa bactéria é comum no ambiente, vivendo no solo, rios, lagos, mares, esgotos, alimentos, plantas, etc. Também fazem parte da microbiota da pele e das mucosas de animais e do homem.

As bactérias do gênero Acinetobacter spp compreendem 31 espécies distintas e são consideradas patógenos oportunistas (causam infecções principalmente em indivíduos imunocomprometidos) que resultam em pneumonias, infecções urinárias, infecções de feridas, osteomielites e sepse, dentre outras.

De acordo com a Anvisa, 77,4% das infecções da corrente sanguínea registradas em hospitais brasileiros por essa bactéria em 2015 foram causadas por uma versão resistente a antibióticos poderosos, como os carbapenens.

Klebsiella pneumoniae

Naturalmente encontrada na flora intestinal humana, é considerada endêmica no Brasil pois, a Klebsiella pneumoniae, produtora da enzima carbapenemase (KPC), é uma bactéria que expressa resistência a até 95% dos antimicrobianos existentes no mercado farmacêutico. O mais preocupante é que ela tem se tornado mais forte com o passar do tempo. Nos últimos cinco anos, a sua taxa de resistência aos antibióticos carbapenêmicos praticamente quadruplicou.

A bactéria KPC foi identificada pela primeira vez nos Estados Unidos, em 2000, depois de ter sofrido uma mutação genética, que lhe conferiu resistência a múltiplos antibióticos (especialmente aos carbapenêmicos) e a capacidade de tornar resistentes outras bactérias.

Pseudomonas aeruginosa

Essas bactérias podem infectar o sangue, a pele, os ossos, os ouvidos, os olhos, as vias urinárias, as válvulas cardíacas, os pulmões, feridas (como queimaduras, lesões ou feridas criadas durante cirurgia). Uso de dispositivos médicos, tais como cateteres inseridos na bexiga ou veia, tubos de respiração e ventiladores mecânicos, aumentam do risco de infecções por Pseudomonas aeruginosa. A mortalidade nestes casos chega a 50%.

Atualmente, as opções terapêuticas para o tratamento das infecções causadas por esse microrganismo são limitadas, muitas vezes restringindo-se ao uso de carbapenêmicos.

E. coli

Algumas cepas de E. coli normalmente habitam o aparelho digestivo de pessoas saudáveis. Porém, algumas delas adquirem genes que lhes permitem causar infecção no trato digestivo e em outras partes do corpo, mais comumente no trato urinário.

Em maio de 2016, foi identificado o primeiro paciente nos Estados Unidos colonizado com Escherichia coli positiva para mcr-1. O gene mcr-1 confere resistência bacteriana ao antibiótico colistina, classe de antibióticos mais poderosa do mundo, usada justamente contra infecções por bactérias multirresistentes. Felizmente o gene de resistência antibiótica mcr-1 não se dissemina facilmente, apenas 1,9% das E. coli isoladas mundialmente são resistentes a colistina. Porém, é um número que devemos ficar atentos pois já foi relatado no Brasil.

bactérias ficam mais resistentes ao longo do tempo
Imagem: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-40561948

Diagnóstico molecular para a resistência antimicrobiana

A antibioticoterapia empírica é a principal causa da evolução da resistência de bactérias e outros microrganismos. Sabendo a resistência a qual medicamento esses patógenos têm, faz-se o uso racional de antibióticos, individualizando o tratamento, evitando assim, o uso desregrado de medicamento de amplo espectro.

O kit XGEN MULTI SEPSE CHIP é um teste multiplex qualitativo in vitro, que utiliza a metodologia Flow Chip para a detecção de mais de 40 patógenos relacionados à sepse, incluindo fungos e bactérias, além de 20 marcadores de genes de resistência a antibióticos.

Leia também:

Pecuária

É comum o uso de antimicrobianos na produção animal para prevenção de doenças e promoção de crescimento dos animais de corte. Infelizmente, essa prática também contribui – por meio da seleção natural – para o surgimento de superbactérias, representando um alerta à saúde pública. As bactérias multirresistentes de origem animal podem ser transmitidos aos seres humanos pelo meio ambiente, pela carne e aos trabalhadores agrícolas, por contato direto.

Nos Estados Unidos, estima-se que o uso de antimicrobianos em alimentos seja responsável por aproximadamente 80% do consumo total anual do país. Na Europa, o consumo de antibióticos em animais é 600 vezes maior que em humanos.

O Brasil é hoje o terceiro país no mundo a utilizar antibióticos na produção de proteína animal, atrás apenas da China e dos Estados Unidos – e deve continuar nessa posição até pelo menos 2030, como aponta um estudo da Universidade de Princeton (EUA).

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) atua muito próximo aos produtores pecuários fiscalizando o uso de antibióticos em animais. Hoje é regulamentado a proibição do uso de penicilinas, cefalosporinas e colistina para a melhoria do desempenho dos animais no Brasil.

O plano nacional de combate a bactérias resistentes é uma força conjunta entre o Ministério da Saúde, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e a Anvisa a pedido da OMS. Os objetivos do material são fortalecer o conhecimento científico sobre o tema, expandir a rede de saneamento básico no país para ajudar a prevenir infecções além de educar melhor pacientes, profissionais da saúde e pecuária sobre a urgência do tema.

Tags:

Você pode gostar também