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Toxoplasmose: uma doença cercada de mitos quanto à sua infecção

11/05/2018
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Toxoplasmose é uma doença infecciosa, congênita ou adquirida, causada pelo protozoário Toxoplasma gondii. Trata-se de um parasita intracelular que pode infectar pássaros, roedores, animais silvestres e um número grande de mamíferos (bovinos, suínos, caprinos, ovinos), inclusive seres humanos. A toxoplasmose acomete cerca de 2 bilhões de pessoas no mundo. É uma zoonose de ampla distribuição geográfica, afetando cerca de um terço da população mundial.

Em até 90% dos casos, a toxoplasmose não manifesta sintomas e a pessoa pode nem tomar conhecimento de estar infectada. Em algumas pessoas os sintomas podem ser confundidos com os de uma gripe. No entanto, uma vez contaminado, o parasita permanece no organismo em estado de latência podendo ser reativado nos casos de imunossupressão.

Qual é a relação entre a toxoplasmose e o gato?

O gato e outros felídeos são os únicos hospedeiros definitivos do T.gondii. Ou seja, nesses animais o ciclo reprodutivo do parasita se completa nas células da mucosa intestinal, e eles eliminam ovos (oocistos) nas fezes durante a fase aguda da infecção. No solo, depois de esporulados, eles se tornam infectantes. O fato de ela poder ser transmitida dessa forma não significa que todos os gatos são hospedeiros do parasita Toxoplasma gondii. Somente 1% dos gatos tem a doença e pode transmiti-la, sendo que essa transmissão ocorre apenas uma vez durante sua vida. Eles contraem o parasita quando caçam e se alimentam de outros animais infectados, como ratos e pássaros.

Você sabia que a probabilidade de se contrair toxoplasmose é maior comendo carne mal cozida do que tendo um gato em casa?

Homens e os outros animais são apenas hospedeiros intermediários do parasita que penetra pelo tubo digestivo e, através da corrente sanguínea, pode alojar-se em diferentes tecidos do corpo. Embora não seja transmitido de uma pessoa para outra, a doença é adquirida por via oral, isto é, pela ingestão dos cistos ou oocistos do parasita. Qualquer um pode ser infectado, desde que não tome alguns cuidados elementares com a prevenção: não ingerir carne crua ou mal cozida, lavar muito bem os vegetais, tomar água mineral ou filtrada, lavar sempre as mãos, lavar muito bem os utensílios de cozinha, evitar contato direto com as fezes de gatos ou de outros felinos e uma atenção muito especial as grávidas: nunca descuidar do acompanhamento pré-natal, durante a gravidez e o parto.

Os riscos da toxoplasmose na gravidez

A toxoplasmose congênita é uma forma potencialmente grave da doença, resultado da transmissão do parasita da mãe para o feto através da placenta durante a gravidez. Para que ocorra a transmissão, a mãe precisa adquirir a infecção durante a gestação, acometendo 40% dos recém-natos nesses casos. No primeiro trimestre, o risco de transmissão é menor, porém a probabilidade de aborto é maior e os danos ao organismo da criança são mais graves. À medida que a gravidez evolui, o risco de transmissão materno-fetal aumenta, mas as lesões na criança costumam ser menos agressivas.

Primeiro trimestre de gravidez

Neste período a probabilidade de transmissão para o embrião acontece em até 20% dos casos. As consequências para o bebê podem ser encefalite (inflamação na parte do sistema nervoso central que compreende cérebro, cerebelo e medula alongada) e nascer com sequelas, como apresentar lesões oculares na retina que acarretam importantes prejuízos da visão. Neste período ocorrem abortos espontâneos, pois os danos ao feto são muito grandes.

Segundo trimestre de gravidez

Neste período, a probabilidade de transmissão para o embrião é maior e acontece em 1/3 das gestações. O feto não é tão afetado, mas, mesmo assim, o bebê pode apresentar problemas como pequeno retardo mental e problemas oculares.

Terceiro trimestre de gravidez

Neste período, a probabilidade de transmissão para o feto é muito comum, porém a doença mostra-se menos agressiva.

A maioria dos recém-nascidos infectados durante a gestação são assintomáticos.  Sem diagnóstico e tratamento adequado, muitos desenvolverão sequelas graves da infecção que pode causar complicações cerebrais, neurológicas, visuais, auditivas, renais, hepáticas e retardo mental.

Os riscos da toxoplasmose nos imunocomprometidos

Pacientes com HIV/Aids e pacientes transplantados são os principais exemplos de pessoas imunocomprometidas. Isso quer dizer que estão com o sistema imunológico (defesa do organismo) comprometidos, ou pela doença, no caso da Aids ou pelo uso de medicamentos imunossupressores, caso dos transplantados para que não ocorra rejeição do órgão.

A toxoplasmose é perigosa para esses pacientes por ser considerada uma infecção oportunista. Com a defesa debilitada, ocorre a reativação da doença no sistema nervoso, causando a neurotoxoplasmose. As principais consequências são febre, confusão, cefaleia, vômitos, perda de força, convulsão, perda da sensibilidade, evoluindo de maneira rápida podendo levar a pessoa ao coma. Em algumas situações, podem ocorrer focos de necrose do cérebro. A neurotoxoplasmose pode deixar sequelas motoras e visuais, mas quando tratadas possibilitam uma melhor qualidade de vida.

A soroprevalência para Toxoplasma gondii nos casos de Aids é 84%

Pacientes com Aids necessitam tomar continuamente os medicamentos tanto para o tratamento da Aids como para a neurotoxoplasmose. Uma vez que a pessoa pare com um desses medicamentos ela pode ter recaída das doenças.

Diagnóstico Molecular para Toxoplasmose

Apesar das pessoas desenvolverem imunidade da toxoplasmose, o diagnóstico é altamente relevante para os pacientes do grupo de risco – gestantes, recém-nascidos e imunocomprometidos, pois as consequências são muito graves.

A principal vantagem do diagnóstico molecular por PCR (Polymerase Chain Reaction – Reação em cadeia da Polimerase), além da alta especificidade e sensibilidade e rapidez na obtenção dos resultados, é a detecção do patógeno em amostras onde geralmente não são percebidos com facilidade, aumentando as chances de um diagnóstico preciso.

Principais vantagens para o diagnóstico de Toxoplasmose:

  • Infecções fetais podem ser diagnosticadas cedo através da análise de líquido amniótico
  • Diagnóstico rápido e sensível, principalmente se comparado a outras metodologias
  • Precisão, especificidade e alto desempenho

 

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