
Agosto é conhecido como o Mês do Aleitamento Materno, campanha que tem como símbolo a cor dourada, em referência à qualidade “ouro” do leite materno. Instituída no Brasil pela Lei nº 13.435/2017, a ação visa conscientizar e incentivar a amamentação, especialmente nos primeiros meses de vida da criança.
A ideia surgiu a partir de um movimento global, com foco na amamentação exclusiva até os 6 meses de idade, como recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
No Brasil, o cenário já foi bem diferente: em 1986, apenas 3% dos bebês com menos de seis meses eram amamentados exclusivamente com leite materno, segundo dados do Ministério da Saúde. Felizmente, esse número vem crescendo com campanhas como o Agosto Dourado.
O que torna o aleitamento materno um verdadeiro tesouro?
Quando uma criança nasce, o primeiro alimento que ela tem contato é o leite materno. Com uma composição completa, ele contém todos os nutrientes e proteínas necessários para essa fase.
Além disso, é importante lembrar que ele também possui substâncias que ajudam no sistema imunológico, e que ajudam na proteção o organismo da criança.
Ainda nos primeiros dias vida, a mãe produz o colostro. Esse é considerado um dos leites mais importantes para a amamentação, pois, além de proteínas, também possui anticorpos fundamentais.
A partir do 6º dia, a mãe produz o chamado leite de transição, que é rico em gorduras e carboidratos. Já por volta do 25º dia, é quando o leite maduro começa a ser produzido, também rico em vários nutrientes, gorduras, carboidratos e proteínas
É justamente essa formulação que evolui conforme o crescimento do bebê que faz cada gota valer ouro.
De acordo com estudos, o leite materno pode ajudar a reduzir em 13% o número de óbitos por causas evitáveis em crianças menores que cinco anos.
Além disso, o aleitamento materno também traz outros benefícios:
Benefícios do aleitamento materno para a criança
Além de ser uma fonte de alimento completa, o leite materno também ajuda a reduzir o risco de alergias, e uma série de outras doenças, entre elas: diabetes, hipertensão, colesterol e infecções respiratórias.
O aleitamento materno também contribui para o desenvolvimento cerebral, e ainda pode atuar como analgésico natural para o bebê. Isso porque, o leite materno possui beta-endorfina.
Esse é um hormônio peptídico, que proporciona sensações de prazer e relaxamento, influenciando diretamente o humor e bem-estar.
Benefícios do aleitamento materno para a mãe
Para além do bebê, a mãe também é beneficiada por meio do aleitamento materno. Ele contribui diretamente para a redução do sangramento do pós-parto.
Além disso, ele também auxilia que o útero volte ao tamanho normal com mais rapidez. Estudos também apontam que a prática ajuda a diminuir incidência de câncer de mama, ovário e endométrio.
Um elo que vale milhões
Para além de todos os benefícios relacionados a saúde e bem-estar, a prática também interfere em algo fundamental para o momento da maternidade, o elo entre mãe e bebê.
Durante a amamentação, o contato pele a pele promove a liberação de ocitocina, em ambos. Por parte das mães, essa elevação dos níveis da substância ajuda a promover comportamentos mais acolhedores e sensíveis.
No caso dos bebês, isso acaba aumentando a sensação de calma e segurança, contribuído diretamente para a conexão emocional.
Algumas pesquisas também demonstram a relação da prática com a redução de problemas emocionais. Crianças amamentadas, e cuja mães se envolveram ativamente ao momento, apresentaram menor incidência de problemas emocionais internos, como ansiedade e depressão.
Como é o cenário hoje do aleitamento materno?
Graças a campanhas de conscientização, o cenário do aleitamento materno mudou muito, desde 1986. Segundo o último Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI‑2019), a prevalência de aleitamento materno exclusivo até os 6 meses gira em torno de 45,8%.
Além disso, 62,4% dos bebês receberam estímulo para mamar na primeira hora de vida.
Apesar de serem dados que revelam um grande avanço do cenário de quase cinco décadas atrás, ainda há um longo caminho a ser trilhado. A Organização Mundial da Saúde tem como meta que, até 2030, 70% mães pratiquem o aleitamento exclusivo nos primeiros seis meses de vida de seus filhos.
Leite sem fake: quebrando tabus sobre aleitamento materno
Para que aumentar cada vez mais as taxas de crianças que são amamentadas, é preciso deixar de lado o que é fake, e quebrar tabus que ainda persistem!
Meu leite é fraco – MITO
Não existe leite fraco!
Todo leite materno é rico em nutrientes, proteínas e oferece a proteção imunológica que os bebês precisam.
Estudos científicos já comprovaram que ele possui quantidade e qualidade ideal de tudo aquilo que os nenéns precisam. Independente do porte físico da mãe, se ela passou por parto normal ou cesariana ou biotipo.
Amamentar é algo que deve ser feito escondido – MITO
A amamentação, para além de um ato de amor, é também um direito garantido pela legislação brasileira. O artigo 9º da Lei 8.069/1990 garante que que a lactante possa amamentar em local público ou privado, sem sofrer qualquer tipo de impedimento.
Inclusive, a Lei nº 13.872/2019 assegura o direito de mães amamentarem seus filhos de até seis meses, até mesmo na realização de concursos públicos.
Amamentação deve ser feito escondido – MITO
Esse é um tabu muito antigo, e que é herança de normas sociais ultrapassadas. Apesar das constantes campanhas de incentivo, muitas mães ainda sentem receio de amamentar em público.
Uma pesquisa realizada pela marca Philips Avent mostra que 66% das entrevistadas se sentiriam mais confortáveis com o ato, se ele fosse mais naturalizado.
Por isso é essencial a conscientização e normalização sobre esse ato de cuidado, que é biologicamente natural e protegido por lei.
Valorizar esse ato é reconhecer o papel fundamental das mães, o direito dos bebês e a responsabilidade coletiva de criar um ambiente acolhedor e informado, para que o aleitamento materno aconteça com liberdade, respeito e garanta mais saúde para os pequenos.
Pesquisa inédita revela que amamentação pode aumentar inteligência | Biblioteca Virtual em Saúde MS
Semana Mundial da Amamentação reforça apoio à saúde do bebê — Agência Nacional de Saúde Suplementar
Ocitocina e interações precoces entre pais e bebês: uma revisão sistemática – PubMed